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Mostrando postagens de junho, 2019
"Os filhos chegam a nós com uma ampulheta nas mãos. Algo acontece em nossas vidas de coelhos de Alice, sempre correndo atrás de alguma ilusão para ganhar outra, que nos cegamos para aquela areia escorrendo pelos dedos batatudos de nossos bebês, de nossas crianças ou adolescentes. Ao não vermos esta ampulheta, não vemos que não vemos. E esta dupla cegueira nos convida a intuirmos que sempre estaremos de mãos dadas com a infância deles. E que, portanto, eles serão sempre os portadores das fantasias e dos brinquedos de nossos lares. Uma mentira que nos contamos para sobrevivermos às nossas rotinas insalubres, que nos fazem estar muito menos com quem mais nos importa. Ao ver nossos filhos crescendo, somos levados para o quanto carecemos de escutar as leis mais inabaláveis do tempo. Há, sim, um sentido de urgência na experiência parental. Nós só temos o agora, que daqui a pouco já não mais estará entre nós, para viver a melhor conexão com nossos pequenos. O mundo vai chamando-os cada v...
Há muitos e muitos anos, quando eu era um pai de primeira viagem (agora sou um avô de primeira viagem), me lembro que outro pai estava me contando com orgulho como tinha resolvido o problema de sua filha de 6 anos, que chorava a noite inteira, chamando pela mãe. Ele tinha deixado a menina chorar sozinha em seu quarto, até parar. Chorou mais de uma hora por uns dois dias e, logo, não chorou mais. – Eu não deixaria minha filha chorar, disse eu. – Sim, claro… Mas, e se ela pedisse a Lua a você? Nunca, em todos esses anos, nenhum dos meus filhos me pediu a Lua. Tampouco sei para que eles iriam querê-la. Mas, desde a conversa com aquele pai, tenho a resposta pronta. Se, algum dia, uma criança me pedir a Lua, eu direi: “Desculpe, amor, não é possível. Ela está muito longe e não dá para alcançá-la”. E se crianças me pedirem balas, eu direi que não tenho, porque em casa não compramos doces. E se me pedirem para comprar, eu direi que não dá, porque as balas fazem mal para os dentes. Se me pedir...
Há muitos anos, quando eu era um pai de primeira viagem, lembro que outro pai estava me contando com orgulho como tinha resolvido o problema de sua filha de 6 anos, que chorava a noite inteira, chamando pela mãe. Ele tinha deixado a menina chorar sozinha em seu quarto, até parar. Chorou mais de uma hora por uns 2 dias e, logo, não chorou mais. – Eu não deixaria minha filha chorar, disse eu. – Sim, claro… Mas, e se ela pedisse a Lua a você? Nunca, em todos esses anos, nenhum dos meus filhos me pediu a Lua. Tampouco sei para que eles iriam querê-la. Mas, desde a conversa com aquele pai, tenho a resposta pronta. Se, algum dia, uma criança me pedir a Lua, eu direi: “Desculpe, amor, não é possível. Ela está muito longe e não dá para alcançá-la”. E se crianças me pedirem balas, direi que não tenho, porque em casa não compramos doces. E se me pedirem pra comprar, direi que não dá, porque as balas fazem mal para os dentes. Se me pedirem um cavalo, direi que é muito caro e que, além disso, não ...

Voltei

Andei sumida porque alguém colocou a vida no nível extremeveryhardpracaralho pra eu jogar desde o meu último post.  Não sei nem dizer o que houve por aqui e como sobrevivemos. Sem querer parecer exagerada: foi a somatória das desgraças. Uma TPM tão avassaladora que cogitei estar entrando em depressão novamente (e que ainda não passou), crise financeira (quase tudo na minha casa precisa de conserto), tretas conjugais (estamos trabalhando nisso e haja paciência), problemas comigo mesma (muuuitos), dificuldades com o Augusto... em ser uma mãe engajada na criação com apego/disciplina positiva, basicamente por conta de tudo o que enumerei antes. Enfim... Talvez seja só uma fase ruim, talvez seja meu inferno astral, talvez seja porque chove todos-os-míseros segundos, não sei, só sei que ultimamente está muito mais difícil e caótico viver. Eu tenho muito claro na minha cabeça que vai passar. Tudo sempre passa. Mas até passar, é foda. Não dá pra abrir um zíper nas costas, saltitar por ...