Voltei

Andei sumida porque alguém colocou a vida no nível extremeveryhardpracaralho pra eu jogar desde o meu último post. 
Não sei nem dizer o que houve por aqui e como sobrevivemos. Sem querer parecer exagerada: foi a somatória das desgraças. Uma TPM tão avassaladora que cogitei estar entrando em depressão novamente (e que ainda não passou), crise financeira (quase tudo na minha casa precisa de conserto), tretas conjugais (estamos trabalhando nisso e haja paciência), problemas comigo mesma (muuuitos), dificuldades com o Augusto... em ser uma mãe engajada na criação com apego/disciplina positiva, basicamente por conta de tudo o que enumerei antes. Enfim...
Talvez seja só uma fase ruim, talvez seja meu inferno astral, talvez seja porque chove todos-os-míseros segundos, não sei, só sei que ultimamente está muito mais difícil e caótico viver.
Eu tenho muito claro na minha cabeça que vai passar. Tudo sempre passa. Mas até passar, é foda. Não dá pra abrir um zíper nas costas, saltitar por aí e poder voltar pro seu corpo quando ele voltar a ser um bom lugar para se estar. Você tem que estar ali, porque esse zíper não existe e mesmo que existisse, só depende de você fazer as coisas ficarem legais de novo. Aquela coisa chata porém verídica de ser o capitão da sua vida e blablabla.
O esforço para ser positiva quando tudo ao meu redor parece errado é astronômico. Ser empática e respeitosa quando eu mesma não estou recebendo isso é, no mínimo, estafante. Pressões demais, tarefas intermináveis e um ciclo sem fim de noias e culpas pelo que não dei conta. Acabo indo dormir já frustrada pelo novo dia que ainda nem raiou. 
Um clima selvagem tomou conta do lar. É preciso estar atento pra sobreviver. 
Eu nem sei direito quem é meu predador. Talvez o tempo, a ansiedade, o cansaço. Talvez o peso das decisões finais que sempre caem nos meus ombros. Talvez eu mesma. 
Ou talvez seja ninguém, e estou surtando e correndo sem parar à toa. 
Então me concentro apenas em respirar e me acolher, me dar algum crédito, me dizer coisas boas sobre mim e sobre o que venho fazendo pela minha família. 
Sofro da síndrome do impostor num grau intenso. Agora mesmo estou brigando com a vozinha na minha mente dizendo que eu deveria estar no tanque lavando nossas meias e roupas de baixo ao invés de estar no instagram fazendo textão. Minha outra vozinha responde, vai se catar, olha tudo o que já fiz ontem, lavei quase tudo. Quase tudo, ainda tem as meias e calcinhas e cuecas. Mas eu faço depois e tá tudo bem porque esse é um dos raros momentos pra mim então me deixa em paz. E a vozinha sossega até a próxima neurose que chega sempre mais rápido do que eu gostaria. 
Meu sonho de princesa é olhar pra minha vida e conseguir me parabenizar pelos 95% de acertos ao invés de me sentir a pior pessoa do mundo pelos 5% de cagadas, deslizes e atitudes impulsivas. Quero poder baixar um pouco esse "padrão FIFA" de exigência que tenho comigo mesma em absolutamente todos os aspectos, tudo o que me proponho fazer. Porque é tão alto que uma hora não alcanço, e a culpa que vem depois de não ter correspondido às minhas próprias expectativas esmaga meu coração uma vez atrás da outra. 
Prossigo tentando deixar toda culpa no passado e me esquivar de novas culpinhas filhotes, sempre me lembrando de que há sangue correndo nas minhas veias, o que me retira a possibilidade de ser uma super heroína. Não dou conta de todos os pepinos cabeludos que surgem dia após dia, perco a cabeça de vez em quando, choro bastante quando minhas fraquezas batem forte na minha cara. E consciente disso tudo sigo fazendo meu melhor, mesmo sabendo que em dias ruins o meu melhor é uma meleca.  
Estou tendo uns vislumbres, umas miragens de uma vida mais leve. E é muito surreal como de vez em quando essa leveza aparece de surpresa, do nada, justo quando não estou correndo feito louca atrás dela. Em alguns momentos somos transportados da selva para as montanhas dos teletubbies, como num passe de mágica. Nada é em vão. A recompensa chega. Um beijinho ou abraço inesperado do meu filho. Atos espontâneos que preenchem os buraquinhos, renovam as energias e confirmam o que muitas vezes a minha mente teima em dizer que não. Recompensas que me puxam de novo para o caminho certo. Que me fazem chorar de emoção e no meio de toda essa bagunça me fazem agradecer pelo que tenho aqui. 
Hoje estou melhor do que semana passada, mas ainda tô longe de estar cem por cento. São dias e dias. Hoje está sendo um dos bons. 

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