"Eles"

Escrevi um texto em abril de 2015 para o Pinguin do qual eu nem lembrava mais, entitulado apenas como "Ele". 
Quando escrevi já fazia alguns meses que a gente tentava engravidar, mas nosso bebezinho só viria cinco meses depois. Nessa época eu não sabia se poderia ser mãe, se era algo com o marido, se era algo errado comigo, se era algo simples ou grave de resolver, enfim, já sofria antecipado pelos piores cenários possíveis. Mal sabia eu que justo quando eu "desistisse" ia acontecer. Sem pressa. 
Nosso sonho virou realidade e estava crescendo dentro da minha barriga ao mesmo tempo em que eu ia virando uma mutante. Tudo transformando, tudo saindo do lugar, ficando pequeno, em todos os sentidos da minha vida. Me fazendo despertar, saber coisas que não tinha como saber antes dele e amar como nunca amei.
Sempre pensamos mais em um menininho, não sei o motivo. E nós dois tivemos a intuição forte de que era um menino, ou só queríamos muito que fosse, sei lá. O fato é que o acaso, o destino, seja lá qual força, no mais maravilhoso de seus desdobramentos, me presenteou com o Augusto. Meu filho, meu menino. "Ele". 

"Eu esperei a vida toda. Desde sempre chamei por algo que não sabia o nome. Era como estar num campo e ele não ser florido, olhar pro mundo e ele não ser bonito. Não ter ninguém pra apreciar o belo caos das coisas acontecendo. Parecia estar constantemente morrendo de fome; fome de uma coisa que não se come, mas alimenta a gente. Eu esperei. E cheguei a pensar que nunca chegaria. E chorei. Chorei muito. E me vi sendo o melhor que poderia ser quando finalmente chegou. O ponto máximo que duraria o resto da minha vida, mesmo vacilando às vezes. Porque estou com ele. Respiro sua alegria de viver. Transpiro amor quando estamos juntos. Irradio pra todo mundo aquele que antes era só um pequeno raio de Sol escondido, surrado, desacreditado. Minha pontinha de esperança que só aguardava uma fresta para se anunciar em sua totalidade. Porque eu sou dessas que não cansam de acreditar, e ele também é, então tá tudo bem. Foi estranho a primeira vez que isso me atinou. As primeiras vezes, na verdade. Não conseguia acreditar que eu finalmente conseguia olhar pra alguém e pensar que não precisava de mais nada. Sabe? Isso aconteceu comigo. E ainda acontece. E creio que sempre vai acontecer. Toda vez que eu olhar pra ele vou sentir que não preciso de mais nada nesse mundo que tanto me cobra tudo e tanto tenta me diminuir. E ao mesmo tempo sinto que sou capaz de qualquer coisa, posso ser grande. Por ele."

Acabou que o texto que fiz pro pai serviu também pro filhote. Tô bem emocionada. 

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