Num dia desses começou a chover bem na hora que eu e o Augusto saíamos pelo portão rumo a pracinha. Mesmo assim nós fomos. Era chuva daquelas sem vergonha, aquele chove não molha sabe? Então íamos seguindo, ora com o guarda chuva aberto, ora fechado. Nesses instantes que de fato chovia eu dava o guarda chuva pra ele sem me importar de ficar pra fora. Até que ele me convidou pra ir me proteger com ele. Só que eu tenho muita dor nas costas. Evito ao máximo me abaixar pra qualquer coisa, minha coluna é RUIM ruim tipo o desgoverno do Brasil, mas ele insistiu que era só um pouquinho e eu andei abaixada com ele alguns metros, me sentindo uma gigante, vendo tudo de uma maneira diferente. Com o Caetano eu também acabo experimentando outras perspectivas, quando eu deito ao lado dele pra brincar e interagir. Aí eu fico pensando: caraca, é assim que eles veem o mundo, é assim que eles me veem, de baixo pra cima.
Tudo pra eles é imenso. Eles precisam olhar pra cima pra falar comigo.
Olhar alguém dessa forma dá a sensação de que esse alguém é superior, mais poderoso. É só pensar em fotografia cinematográfica: quando chega aquela personagem salvadora a gente vê ela de baixo pra cima, luz vindo contra... é uma coisa heroica pra mexer no nosso ideal de admiração. E é também como os filhos enxergam os pais.
Sempre que penso nisso percebo a enorme loucura que isso é. Porque eu não queria ser a salvadora, a heroica, o maior e único exemplo da vida deles não.
Eu tomo café demais, não me formei em nada, falo palavrão. Organização não é o meu forte, sou esquentada pacas, um pouco orgulhosa, procrastinadora e meio desistente. Tenho dificuldade em tentar coisas novas porque se errar me sinto exposta, eu cresci achando que a gente não tem direito de ousar fazer algo se não for pra ser o melhor. Eu não pratico esportes, adio meus sonhos, sou péssima em entender meus próprios sentimentos. Além disso eu não tiro o lixo nos dias certos, as vezes a criança dorme sem escovar os dentes e nunca lembro a regra de afim/a fim e, poxa vida, eu não quero ser escritora? Então eu tinha que lembrar.
E mesmo assim ele me acha perfeita, confia em mim e imita meu jeito de fazer tudo.
Eu não queria que fosse assim, em qualquer filme eu seria outra personagem. Mas na minha vida ele me vê como exemplo. Então eu as vezes penso e até tento parar com o café, faço exercícios e saio pra caminhar, me lembro de tomar água, comer fruta, ler. Traço rotina, defino metas. As vezes só digo que tá tudo bem ficar triste. As vezes eu tento dar conta de ser perfeita impossivelmente por ele. As vezes erro e peço desculpas enormes pra ele entender sobre humanidade e as vezes eu me forço a aprender a descansar pra imaginar que um dia ele será mais gentil consigo mesmo do que eu sou.
Eu não sou perfeita. A responsa de ser o mundo, a maior referência de alguém é foda. Mas eu gosto de pensar que dentro do que eu posso e tenho eu tô fazendo o meu melhor.
Olhar alguém dessa forma dá a sensação de que esse alguém é superior, mais poderoso. É só pensar em fotografia cinematográfica: quando chega aquela personagem salvadora a gente vê ela de baixo pra cima, luz vindo contra... é uma coisa heroica pra mexer no nosso ideal de admiração. E é também como os filhos enxergam os pais.
Sempre que penso nisso percebo a enorme loucura que isso é. Porque eu não queria ser a salvadora, a heroica, o maior e único exemplo da vida deles não.
Eu tomo café demais, não me formei em nada, falo palavrão. Organização não é o meu forte, sou esquentada pacas, um pouco orgulhosa, procrastinadora e meio desistente. Tenho dificuldade em tentar coisas novas porque se errar me sinto exposta, eu cresci achando que a gente não tem direito de ousar fazer algo se não for pra ser o melhor. Eu não pratico esportes, adio meus sonhos, sou péssima em entender meus próprios sentimentos. Além disso eu não tiro o lixo nos dias certos, as vezes a criança dorme sem escovar os dentes e nunca lembro a regra de afim/a fim e, poxa vida, eu não quero ser escritora? Então eu tinha que lembrar.
E mesmo assim ele me acha perfeita, confia em mim e imita meu jeito de fazer tudo.
Eu não queria que fosse assim, em qualquer filme eu seria outra personagem. Mas na minha vida ele me vê como exemplo. Então eu as vezes penso e até tento parar com o café, faço exercícios e saio pra caminhar, me lembro de tomar água, comer fruta, ler. Traço rotina, defino metas. As vezes só digo que tá tudo bem ficar triste. As vezes eu tento dar conta de ser perfeita impossivelmente por ele. As vezes erro e peço desculpas enormes pra ele entender sobre humanidade e as vezes eu me forço a aprender a descansar pra imaginar que um dia ele será mais gentil consigo mesmo do que eu sou.
Eu não sou perfeita. A responsa de ser o mundo, a maior referência de alguém é foda. Mas eu gosto de pensar que dentro do que eu posso e tenho eu tô fazendo o meu melhor.
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