A estranha sensação de voltar ao ninho. Olhar pro infinito particular. Voltar no tempo e no espaço. Revisitar memórias nunca antes lembradas. Deixar o coração pulsar num ritmo involuntário. Medo. Angústia. Tristeza. Vazio. E assim, amorosa e progressivamente, acolher, integrar, contornar, reelaborar. Passou. Te vejo, te reconheço. Sinto muito. Me perdoe. Eu te amo. Sou grata. Seguir adiante, inspirando e expirando no presente. Honrando cada pedaço da história que me compõe. Agradecendo a oportunidade de ter coragem para me despir e reconstruir. Esse não é o fim, é o começo de uma grande história de amor próprio.
"Os filhos chegam a nós com uma ampulheta nas mãos. Algo acontece em nossas vidas de coelhos de Alice, sempre correndo atrás de alguma ilusão para ganhar outra, que nos cegamos para aquela areia escorrendo pelos dedos batatudos de nossos bebês, de nossas crianças ou adolescentes. Ao não vermos esta ampulheta, não vemos que não vemos. E esta dupla cegueira nos convida a intuirmos que sempre estaremos de mãos dadas com a infância deles. E que, portanto, eles serão sempre os portadores das fantasias e dos brinquedos de nossos lares. Uma mentira que nos contamos para sobrevivermos às nossas rotinas insalubres, que nos fazem estar muito menos com quem mais nos importa. Ao ver nossos filhos crescendo, somos levados para o quanto carecemos de escutar as leis mais inabaláveis do tempo. Há, sim, um sentido de urgência na experiência parental. Nós só temos o agora, que daqui a pouco já não mais estará entre nós, para viver a melhor conexão com nossos pequenos. O mundo vai chamando-os cada v...
Comentários
Postar um comentário